My love
Não me arrependo de nada. Mas de vez em quando passa pela cabeça um ”podia ter sido diferente” Almost-passion
Indo dormir. Boa noite a todos

Bj

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Chorão já dizia: Todos vivemos dias difíceis, mas nada disso é em vão.
Meio podre por dentro, algo em mim morreu.

Restos de um naufrágio

Conheci uma garota chamada Catarina. Ela tinha marcas pelo corpo, sinais que demonstravam seu sofrimento. Quando perguntei a ela se não havia outro modo de exprimir sua tristeza, ela apenas deu de ombros. Conheci uma garota chamada Joana. Ela tinha olhos extremamente vermelhos, daqueles que se destacavam de longe. Quando perguntei a ela se não havia outro modo de expulsar a dor, ela apenas fez uma careta. Conheci uma garota chamada Olívia. Ela sorria como se houvesse algum fio esticando os cantos da sua boca. Quando perguntei a ela se não havia outro jeito de ser feliz, ela apenas continuou a sorrir. Conheci uma garota chamada Nina. Ela vivia em bares como se eles fossem algum tipo de salvação. Quando perguntei a ela se não havia outro modo de esquecer as infelicidades, ela apenas pediu uma dose para mim. Até que em um belo dia conheci uma garota chamada Cecília. Ela, de longe, era a mais quieta de todas. Não se auto-mutilava, não chorava, não sorria falsamente e não bebia. Apenas permanecia na sua, com grandes olhos abertos e um nariz empinado. Quando perguntei se ela não tinha nenhum problema, ela apenas balançou a cabeça incrédula e respondeu: “Moço, todos temos problemas. O diferencial está em como lidamos com tais fatos”. Catarina era rejeitada por uma boa parte das pessoas ao seu redor. Joana estava em uma crise de baixa auto-estima. Olívia era infeliz com um marido que a traía descaradamente. Nina havia levado um pé na bunda do namorado. Já a minha pequena Cecília… Ah, pequena grande Cecília. Cecília tinha uma doença terminal e, por incrível que pareça, foi a que mais me ensinou a viver.

Ah, Cecília.

Mas eu nunca fui o tipo de gente que olha pra beleza e venera. Porque eu acho isso bobagem, porque a paisagem de dentro é sempre mais bonita. E se você me fala que fulano é lindo por causa do olho de cor diferente, por causa do sorriso branco, ou por causa do físico perfeito, eu sou obrigado a rir e dizer que nada disso vale um amor pra anos, um amor de anos: o exterior sempre perde para o tempo, sempre sucumbe à falta de maquiagem e à falta de mundo.

Igor Pires. 

As pessoas mais orgulhosas são as que mais precisam de amor.
Eu não sou mais como antes. Eu mudei. O traço ficou mais rude, mais tosco e o cenário mais real, menos imaginário. Levei um choque de desesperança, mortifiquei os poros no ato da escrita, maltratei a chicotadas os sentimentos mais puros da minha estratosfera. A tinta está mais espessa, misturo nela a terra que se acumulou nos meus sapatos durante a caminhada. Rastros empilhados em pinceladas firmes e concentradas buscando a silhueta perfeita da mulher de seios errantes e face desintegrada. No fundo o horizonte do mar se desdobra indicando a rota para o infinito. Nas mãos, rosas despetaladas cobertas de sangue, um contraste catastrófico e fascinante. Os olhos vermelhos entupidos de álcool sobre a tela inquietos e desesperados choram o mundo desencantado e dilacerado. As pupilas estéreis dilatam as veias do coração. E não me resta nada, o que restou se explodiu, se foi, fui derrotada pela dor que se calou por um segundo. A respiração para e o pensamento esvaece. Mergulho na minha própria obra, dou um giro na tentativa de sumir. Depois de tempos fico sabendo que encontraram a minha alma presa naquela tela recostada na parede daquele quarto. Até hoje não sei se morri ou renasci. Eu só sei que eu não voltei mais ali.

Elisa Bartlett, auto-retrato. 

Chico & Caetano

no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nosso problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas

Paulo Leminski

Não seja aquele tipo de pessoa que busca, acha, e depois sai correndo com medo.

o problema e quando a pessoa é perfeita pra você, mas você não é perfeita pra ela, ai fode tudo

@ acumulou